Carro elétrico no Brasil vai andar devagar

Rota 2030 dá perspectivas para a eletrificação, mas introdução será lenta

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A indústria automotiva está animada com os planos do Rota 2030, o que foi visto na 26º edição do Simea, simpósio realizado pela AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, nesta quarta-feira, em São Paulo.

Durante a abertura do evento, que teve como tema “a rota para o futuro da mobilidade no Brasil”, Antônio Megale, presidente da Anfavea (associação que reúne os fabricantes), Paulo Ferreira, vice presidente da Abeifa, que reúne os importadores, Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, Marcos Jorge, ministro do MDIC, Rogélio Golfarb, presidente do Simea e Edson Orikassa, presidente da AEA, falaram sobre a importância do Rota 2030 e o desenvolvimento da indústria automotiva no País.

“O programa vai garantir a retenção do conhecimento e dos empregos no País, com ganhos para toda a sociedade brasileira. Teremos veículos mais econômicos e mais seguros e os veículos elétricos serão vistos por aqui com mais frequência”, comentou o ministro do MDIC.

Durante a manhã, a evolução do powertrain foi tema das palestras. Ricardo Debiazi, analista de comércio exterior do MDIC, falou sobre o futuro da eletrificação veicular no Brasil, destacando que a necessidade de eletrificação se da pela melhoria da saúde pública, pelos acordos climáticos, políticas públicas e descarbonização do transporte, mas que, diferentemente dos países da Europa e da Àsia, o perfil brasileiro de emissão de gases não é a principal razão da corrida pela eletrificação.

Para o analista, o elétrico é importante porque faz parte de uma mudança e avanço do mercado, mas a inserção na indústria brasileira vai ser gradual e demorada, devido às características e necessidades do País.

Ricardo Abreu, da Mahle, reforçou a ideia de que a eletrificação total dos carros vai acontecer de forma gradual, passando pelo combustível alternativo, pelos carros híbridos, até chegar ao veículo totalmente elétrico. Ainda citou que a redução da emissão de gases deve acontecer desde a produção do combustível até chegar ao tanque do veículo e destacou o Rota 2030, o Renovabio e o Proconve como os programas mais relevantes para esse processo.

Henri Joseph Junior, diretor técnico da Anfavea, falou que, além da redução da emissão de gases, a eletrificação tem como foco a mobilidade e a segurança no trânsito. O primeiro passo importante, segundo o diretor, foi o Inovar Auto, que reduziu em cerca de 15% da emissão anual no País e o segundo passo é o Rota 2030. “O Brasil tem potencial, mas precisa trabalhar para isso”, afirmou.

Durante o debate, Ricardo Abreu destacou que “o Brasil está adiantado porque é o único país que tem uma solução de eficiência energética, o etanol” e concluiu dizendo que o etanol deve ser valorizado, pois, afinal, coloca o Brasil a um passo à frente na redução de emissão de gases.

Na parte da tarde, foram ministradas duas palestras. Uma delas foi a do gerente de desenvolvimento da Siemens, Regis Ataides, que falou sobre Indústria 4.0, carro autônomo e o Simcenter, um simulador desenvolvido pela empresa que reduz custos de desenvolvimento e garante maior produtividade para a indústria.

A outra foi do piloto Lucas Di Grassi, que é diretor executivo da Roborace, empresa inglesa que promoverá o primeiro campeonato com carros autônomos. “O debate do momento é como manter a importância do automobilismo na era do carro elétrico e do veículo autônomo”, comentou Di Grassi.

O piloto informou que o primeiro campeonato de carro autônomo vai acontecer em 2019, mas terá um piloto nos primeiros 10 km, que ensinará a máquina a dirigir no circuito. Apenas os últimos 5 km serão percorridos sem o piloto”.
Diante da visão de especialistas do setor, é notável que o Brasil está empenhado na eletrificação de veículos e, apesar de não ser prioridade neste momento, tem grande potencial.

Kalyne Rannieri

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