Agência Autoinforme - Você encontra nas mesas de restaurantes parisienses aquele tradicional moedor de pimentas, de madeira, da marca Peugeot. Mais conhecida como uma marca de carro, a Peugeot no entanto nasceu muito antes da invenção do motor a combustão. Quase 100 anos antes, fabricando ferramentas, outros produtos, entre eles o moedor de pimentas.
Ao completar 200 anos de estrada, a marca francesa dá um salto na sua presença no mercado mundial, propondo vencer três grandes desafios para conjugar o automóvel no futuro da humanidade.

Ao apresentar na semana passada, em Paris, o novo logotipo, com um leão mais estilizado, na cor prata - num desenho mais limpo e dando a sensação de mais movimento - a direção mundial da empresa enumerou os desafios que vai enfrentar no próximo período, quando pretende subir três postos no ranking das marcas mais vendidas no mundo, ficando com a sétima posição.
O primeiro desafio é fazer a marca "viver no seu tempo", isto é, acompanhar as expectativas dos clientes, que mudaram radicalmente e precisa ser acompanhada. O segundo é ser uma referência em termos de desenho, com a produção de produtos únicos e ambientalmente responsáveis. E terceiro, tornar-se líder nos serviços de mobilidade, oferecendo soluções para as novas gerações de motoristas.

Para Xavier Peugeot, diretor de Marketing e Comunicação na Europa, a emoção será sempre a principal característica do carro, "qualquer que seja a opção ambiental", disse. Ele acha que a indústria precisa combinar as exigências dos novos tempos - como as questões ambientais e outras - com a emoção de dirigir um carro. Aponta esse ponto como o diferencial da Peugeot em relação aos concorrentes no projeto de marca que se inicia esta semana.
Com o lema Motion e Emotion (mobilidade e emoção), a empresa começou o seu novo momento apresentando a nova geração do motor HDI, com redução de 15% no consumo e oferecendo uma condução mais delicada. O motor micro híbrido diesel elétrico, de alto desempenho, com 200 cavalos de potência, tração nas quatro rodas e também com redução de 15% no consumo. Um carro que vai emitir apenas 99g de CO2 por quilômetro (a legislação européia permite 120g de CO2) e começa ser vendido em 2011. E um carro pequeno a gasolina, de alta eficiência, que chega ao mercado em 2010.

O plano da empresa é lançar 14 carros novos até 2015 e nos próximos três anos quer entrar em segmentos onde até hoje não está presente.
O RCZ - um cupê para duas pessoas, com motor 1.6 de THP de 200cv - chega na Europa em meados deste ano. De 2010 a 2012 a Peugeot vai lançar quatro modelos hatchs, de várias categorias, sendo o primeiro o 408, na China, que começa a ser vendido no próximo dia 25. O Brasil está incluído na proposta de busca de novos segmentos, com o lançamento da picape Peugeot, derivada do modelo 207 feito no Brasil (com base na plataforma do 206), produzida na fábrica da empresa em Porto Real, no Rio, e que começa a ser vendida em maio. Será a primeira picape derivada de carros de passeio que a Peugeot fabrica.

A Peugeot acha que o universo urbano é o maior desafio em relação à mobilidade. E pretendem contribuir na busca de soluções com propostas inovadoras e que realmente possam contribuir a resolução dos problemas ambientais de mobilidade.
"Muitos fazem discurso, apresentam propostas, mas nós é que fizemos o primeiro carro inteiramente elétrico na Europa", disse Xavier Peugeot, referindo-se ao BBi, apresentado durante a conferência de imprensa em Paris, na última sexta-feira. É um carro pequeno, de apenas 2,5 metros, que lembra muito o Smart, mas tem lugar para quatro pessoas e motor de emissão zero.
Para Vincent Besson, diretor de Estratégia de Produtos e Mercado, disse que não há apenas uma solução para o uso de carro elétrico. "Atualmente, o carro 100% elétrico é, sem dúvida, a solução ideal do ponto de vista ecológico, mas é uma solução muito cara e não oferece boas condições de autonomia ao usuário. Existem outras opções, combinadas, que podem satisfazer os interesses ambientais do mercado". O dirigente lembrou que os motores a gasolina estão fazendo um progresso extraordinário. "A vantagem do motor diesel em relação ao motor a gasolina está diminuindo".
A empresa apresentou uma série de opções para o que chama "os desafios da mobilidade".
A lambreta (scooter) elétrica é outra opção: tem motor de 50cc e uma autonomia de 100 quilômetros.
A empresa atua também no setor de bicicletas: vendeu este ano 25 mil bicicletas comuns, um veículo cada vez mais usado nas cidades europeias. E em dezembro último lançou a bicicleta elétrica, que tem uma versão para andar na cidade e uma versão para corridas, além de versões feminina e masculina. A bicicleta elétrica começa a ser vendida em abril nas 450 concessionárias Peugeot da Europa.
O RS1 mostra com clareza a proposta da Peugeot de não abrir mão da emoção em troca de eficiência para a busca de soluções para a mobilidade nos centros urbanos. É um esportivo, um roadster de dois lugares, "um manifesto de estilo que será base para os próximos modelos", nas palavras dos dirigentes da Peugeot. O carro foi apresentado em primeira mão durante a coletiva de imprensa.
Joel Leite, de Paris