Abril   
2010
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3/9/2010 - Consórcio não é um jogo de risco, mas de paciência.

CALEIDOSMOTO®
M. Barthô ®            m.bartho@br.inter.net

 

Consórcio não é um jogo de risco, mas de paciência 

Por causa disso, operadoras venderam mais de meio milhão de planos para a aquisição de motos no primeiro semestre

 1

  A economia do Brasil vai bem, obrigado.

    Será? Parece que sim.

    Mas pelo que vejo diariamente nas ruas e ouço nos bares da vida, não é todo mundo que está com a carteira de trabalho assinada. E no mercadinho da esquina, aquela comprinha básica de R$ 10 evaporou há meses. Com R$ 10 já não se compra mais nada.

    Em todo caso, houve uma melhora geral do nível de vida. Isso houve. Todo mundo está de carrinho ou de moto novos e a inadimplência caiu. Se isso vai continuar ano que vem, só o tempo dirá.

    Mas pra nós, motociclistas e motoqueiros, estejamos ou não a situação financeira estabilizada, serve a velha e segura dica pra proteger aquele dinheirinho que, como sempre, entrou suado no bolso.

    Essa dica serve especialmente para planejar o futuro e a próxima compra ou troca da motocicleta: voltar os olhos para um tradicional plano de consórcio.

    O consórcio é uma forma de poupança programada, que normalmente fica protegida dos sobressaltos da economia e mudanças de governo. Ele não exige comprovação de renda, como na compra a prazo, por financiamento.

    Isso, todo mundo já sabe.

    A grande novidade é que, nesse momento de estabilidade, nós, consumidores, podemos planejar com mais calma a aquisição de um plano de consórcio. 

    As dicas básicas ao se fazer um plano de consórcio e adquirir uma motocicleta continuam simples e, sobretudo, práticas.

    Em linhas gerais, deve-se seguir os passos da cartilha desenvolvida nas últimas duas décadas por técnicos de planejamento financeiro pessoal, economistas e pessoas que costumam fazer a aquisição de seus bens por essa modalidade financeira.

   Essa cartilha também é difundida pelas empresas de consórcios, pela Abrac (Associação Brasileira das Operadoras de Consórcio) e por estudiosos e especialistas no assunto. 

  Vamos lá.

  Procure não planejar a quitação de prestações mais na frente, no meio do caminho, para trocar a moto, usando o que já foi aplicado para vender sua moto usada e dar um lance.

   Por que não? Porque consórcio não é um jogo de risco nem de oportunismo, mas de paciência.

   A modalidade é conservadora? É.

   É estável? É.

   É segura? É.

  Assim, procure não avançar. Joga o jogo, como diz o clássico samba de João Bosco e Aldir Blanc. Segure sua ansiedade. Se quiser, avance por outros meios, através de outras oportunidades, ou até mesmo de um outro consórcio, paralelo. Mas mantenha seu consórcio principal intacto. Ele é um porto absolutamente calmo e seguro.     

   No consórcio, dizem os especialistas, é preciso ter calma, por mais que se imagine que uma determinada oportunidade foi perdida. Afinal, no nosso caso, além da motocicleta zero km estar garantida, os novos modelos sempre serão lançados, um após o outro.

   A oportunidade que foi perdida hoje, amanhã já fará parte do passado. Outras novidades - lançamentos, motos tecnologicamente mais avançadas - logo logo estarão ao alcance da mão. 

   É por isso que o segredo Número 1 do consórcio é ter paciência. Seguir em frente pagando apenas as prestações programadas, sempre rigorosamente em dia.  

  2

       As dicas para se fazer a escolha certa do plano de consórcio também incluem optar por aquele plano cujas prestações mensais caibam em seu orçamento, e não invadam outras áreas de sua vida.

   Seguir ponto a ponto o pagamento das quitações do plano escolhido é uma regra básica, que renova a confiança e auto-estima do consumidor a cada pagamento feito.  

   Então, vamos às dicas.

   Antes de mais nada, verifique qual empresa você vai escolher. Consulte sites que atestem a sua idoneidade. Isso pode ser feito diretamente no site da Abac (Associação Brasileira de Operadoras de Consórcio ), o www.abac.org.br . O sistema também pode ser acompanhado pelo twiter, através do endereço www.twitter.com/abacweb. 

   Leia todas as regras e leis que puder sobre a regulamentação desse sistema de aquisição antes de optar por um plano. Depois, leia todas as entrelinhas que compõem o plano escolhido.

    Ao invés de assistir televisão ou dar um pulo no bar da esquina pra conversar com os amigos, tire a noite pra isso. Por quê não? Pense na sua moto nova estalando na garagem, e você esquecerá por umas horas dos amigos e do sofá.  

   Conhecer as regras e ler o contrato parágrafo por parágrafo é fundamental.

   Sei disso por experiência!   

   Há muitos anos, ao fazer um plano de consórcio particular (nem lembro o nome da empresa - ela faliu!), não li direito o contrato e fui enganado.

   Fui na onda dos colegas de trabalho, dos caras que tinham amarrado uma parceria comercial entre a revista onde eu trabalhava na época, no início dos anos 80,  e uma operadora de consórcios que não era oficial de fábrica.

   Entrei no consórcio na base do oba-oba: tomando um uisquinho, comendo salgadinhos, levando amigáveis tapinhas nas costas de vendedores e vendedoras sorridentes, hipnotizado pela minha futura motocicleta - a então recém-lançada e avançadíssima Agrale 27.5, uma Cagiva veloz, com motor dois tempos, feita para enduros de velocidade, com motor a água, guidão de duralumínio, 25,5cv reais de potência (que anos mais tarde foram maquidados porque o motor de alta octnagem estourava - a gasolina nacional era uma verdadeira m....), partida elétrica etc.

   Saí do consórcio, dois anos depois, chutando a minha sombra na calçada de tanta raiva.

   Lembro que ao final do plano, que paguei religiosamente em dia por dois anos, descobri que tinha de pagar mais um monte de taxas. A moto já não era a mesma: o fabricante havia reduzido sua potência para uns 23cv, embora ainda vendesse a máquina com o número original no estampado no tanque.

   Eu, que há estava no Jornal do Carro, fiquei super estressado! Parti para a briga e publiquei isso num furo de reportagem, alertando os consumidores e comprovando a gambiarra comercial do fabricante tecnicamente.

   Os erros foram três: minha displicência ao não esmiuçar o contrato e viajar num modelo que se tornaria inviável, assinar um plano de consórcio sem ler as entrelinhas e levar um passa moleque do fabricante.

   Desisti da sonhada moto e parti prum fuscão usado.

   Até hoje não digeri aquela situação. A experiência ficou entalada na garganta, mas serviu de lição.

    Por outro lado, naquele tempo, início dos anos 80, o sistema de consórcios não era protegido e aperfeiçoado como é hoje. Havia inflação, juros e as parcelas aumentavam de mês em mês.  

   O sistema evoluiu. Está totalmente seguro e aperfeiçoado, e representa uma fatia do dinheiro que entra no caixa do fabricante. Isso é uma grande vantagem. Hoje eu faria um consórcio tranquilamente.    

   Causo contado, vamos lá.

   Faça suas contas e informe-se sobre tudo antes de assinar um plano de consórcio.

   Passe um pente fino na operadora de consórcio, no contrato, nas parcelas, nas suas contas e projeções futuras, na evolução dos detalhes, leis, direitos, obrigações, incentivos, benefícios concedidos, e na credibilidade da operadora ou da montadora.

   Outro toque: prefira os consórcios tradicionais, operados pelos bancos das grandes montadoras de motocicletas, super sólidas. Esses não dão o velho e desagradável chapéu. Oferecem garantia e sua idoneidade e transparência garantem a continuidade da linha de produção das motocicletas da marca - ou seja, estão atrelados sua sobrevivência! 

   Escolhidas a marca, modelo, a operadora e o plano mensal que cabe em sua realidade pessoal financeira (eles variam entre 12 e 72 meses), lembre-se de que a parcela mensal desembolsada deve absorver apenas metade ou um terço do que você ganha - e isso, manda a razão, já separadas a grana da escola, dos filhos, da alimentação, higiene, transporte, medicamentos, roupas e moradia.

   Veja: se você recebe mensalmente uns R$ 1.200,00 líquidos - já feitos os descontos legais, como taxas, INSS etc - deve retirar a grana para seus gastos básicos, elencados acima.- uns R$ 900,00. Sobram R$ 300,00. Desses R$ 300,00, aplique algo ao redor de R$ 150,00 num consórcio. Só. Ou arranje mais um emprego, ou um bico, voltado só pra isso!  

   Depois, passe para os detalhes mais práticos.

   Siga os passos:

   1 - Escolha o plano que ofereça a melhor possibilidade de pagamentos mensais com folga;

   2 - Planeje a forma de pagamento: qual a data em você recebe?

   3 - Anote numa agenda, tabela ou em seu PC todas as prestações a serem pagas do início ao fim, para ter o controle parcial mês a mês;

   4 - Deixe essa ficha de acompanhamento à mão, num local onde possa ser examinada diariamente (por exemplo, na parede, sobre uma mesa ou mesmo na área de trabalho de seu PC);

   5 - Escreva as obrigações e outros detalhes de pagamento num espaço em anexo, que esteja fácil para consultas. Na tabela ou na agenda anote tudo a lápis para facilitar eventuais correções e mudanças, que com certeza vão aparecer;

   6 - Mantenha os pagamentos em dia, sem desvios ou desculpas. Nunca aplique o famoso jeitinho brasileiro, com coisas do tipo Esse mês preciso atrasar o pagamento dessa parcela, mas depois reponho! .

   E, finalmente,

   7 - Acompanhe o preenchimento da tabela periodicamente, ou semanalmente.  

   Pode ter certeza: aos poucos essa disciplina, que começa meio chata, com o seu quadro ou a tela vazios, passa a dar uma enorme satisfação interior!

   Na medida em que as parcelas vão sendo pagas e a tabela vai sendo preenchida, sua moto está cada vez mais próxima.

   Isso é muito legal!  

   3         

    Por fim, eis a informação que inspirou esse tema.

    Ela foi divulgada pela Abac, recentemente. O documento traz detalhes que atestam a solidez e o crescimento do sistema de consórcios.

    Segundo a Associação, o sistema de consórcios tem apresentando crescimento constante nos últimos anos. As vendas de novas cotas superaram um milhão no semestre anterior. O volume de negócios fechados ultrapassou R$ 28 bilhões e cresceu 33%.

   No primeiro semestre de 2010, também foi registrada uma alta de participantes, novos consorciados e contemplações. Segundo a entidade, isso se deve em razão da inexistência de juros, da maior participação das classes C e D e principalmente, da possibilidade real de planejamento por parte dos consumidores. 

   A entrada de novos consorciados entre janeiro e junho superou a marca de um milhão em todas as modalidades de consórcio (autos, motos, casas, serviços, eletro-eletrônicos etc), somando 10,1% a mais (ou a injeção de 100 mil consumidores no sistema) que o volume atingido no mesmo período em 2009.

   Outra pesquisa, essa feita pelo Instituto Data Popular, revelou que neste ano a massa de renda das famílias da classe D vai ultrapassar a da classe B.

   As famílias com ganho mensal entre R$ 511 e R$ 1.530 (cujos integrantes compram motocicletas populares de até 150 cm³) têm para gastar 28% da massa total de rendimentos nacional. Isso representa R$ 1,38 trilhão. Enquanto isso, a classe B vai ter R$ 329,5 bilhões (24%).

   Note: a classe B tem renda entre R$ 5.101 e R$ 10.200. Reúne o pessoal que já deixou a moto popular e as médias cilindradas pra trás e está de olho numa bela Harley-Davidson 883 ou uma Honda Hornet 600.

   Quer dizer, a médio prazo surgirão mais motos maiores nas nossas ruas! 

   - A mudança de comportamento do brasileiro tem transformado parte de seu salário em consórcio, uma poupança carimbada e com objetivo determinado. Ao comprar um carro ou um imóvel, o consumidor busca fazer o melhor negócio patrimonial. Essas atitudes confirmam o sistema como uma boa alternativa em ampliar o patrimônio, deixando de lado a compra por impulso, aquela que por vezes somente o valor da parcela dentro do bolso era considerada - comentou o presidente da Abac, Paulo Roberto Rossi. 

   Os números também mostram que no segmento de motocicletas mais de meio milhão de novas cotas foram vendidas em seis meses. De janeiro a julho de 2010, foram comercializadas 578,3 mil unidades e contemplados 306,4 mil consorciados.

   Isso, penso eu, já garante uma boa dose de confiança nessa modalidade.

M.Barthô
m.bartho@br.inter.net

 

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