Um novo carro para uma nova Fiat

Com lançamento em junho, o hatch X6H é resultado do primeiro investimento pesado da FCA na marca italiana

O futuro carro da Fiat, fotografado por André Lobo, do UOL

O futuro carro da Fiat, fotografado por André Lobo, do UOL

A chegada do X6H simboliza a nova etapa da Fiat no Brasil, que, agora sob o controle da FCA, vai trilhar caminhos em segmentos superiores. O carro já está pronto, rodando em fase final de testes e será lançado na primeira quinzena de junho. O hacht médio (do tamanho do Punto) cujo nome ainda não foi revelado (X6H é o nome do projeto), surge junto com a modernização da fábrica de Betim, como modelo mundial, com potencial de exportação além da América Latina e características que o colocam, segundo uma fonte do mercado, no topo da tecnologia automotiva em relação a qualidade, segurança e eficiência energética. Feito sobre uma nova plataforma, tem soluções de design exclusivas para o mercado brasileiro. As prováveis motorizações serão o 1.3 GSE e o 1.8 E Torq, com opção de câmbio automático.

A fábrica de Córdoba, na Argentina vai produzir a versão sedã, ainda este ano, modelo que também será vendido no Brasil em 2018, ocupando o segmento intermediário entre o sedã pequeno e o sedã médio, onde a Fiat tem hoje o Grand Siena e teve o Línea. O terceiro projeto da nova família é uma picape, intermediária entre a Strada e a Toro, que deve chegar somente no final de 2018.

Embora a picape Toro tenha sido resultado da parceria entre as duas marcas, trata-se de um carro oriundo da marca estadunidense. Assim, o X6H é o primeiro projeto fruto de investimentos da FCA na marca italiana, para enfrentar o novo período do mercado brasileiro, que mudou numérica (as vendas caíram pela metade em quatro anos) e conceitualmente, valorizando modelos de segmentos superiores e de maior valor agregado. Por outro lado, recuou nos segmentos de entrada, onde a Fiat tinha o seu principal foco. Tinha. Porque a nova política da FCA, controladora da marca, prevê forte presença em mais segmentos do mercado.

Para a empresa, a visão do mercado é conjunta Fiat-Jeep, por isso a queda de participação da segunda não é vista com preocupação: com a consolidação, a FCA perdeu com a Fiat nos segmentos de entrada, mas ganhou 2,5 pontos percentuais com a Jeep, o que dá ao grupo a liderança de vendas. No ranking por marca, a Fiat ficou em segundo lugar em 2016, atrás de GM, enquanto a Jeep entrou na lista das dez marcas mais vendidas (veja quadro abaixo).

Todas as marcas antigas, que tinham seu foco nos segmentos inferiores, perderam com o amadurecimento do mercado. O segmento dos hatchs pequenos representava quase metade das vendas em 2007, com 47,5%; hoje tem 36,8%. Além disso, esse segmento, que era prioritariamente disputado pelas três grandes (todas com mais de 20%) + a Ford (cerca de 10%), passou a ter a concorrência de novas montadoras, como Renault, Hyundai, Nissan.

A Fiat continua líder do mercado de entrada, mesmo caindo de 327 mil unidades em 2011 para 100 mil no ano passado. A Volkswagen, que vendeu naquele ano 289 mil carros no segmento, ficou com apenas 82 mil em 2016 e caiu para a terceira posição, com a GM subindo para o segundo lugar, mesmo caindo de 149 mil para 86 mil unidades.

A novidade no ranking foi a Hyundai, que é a quarta colocada com 68 mil carros 1000cc, na frente da Ford (61 mil) e da Renault (41 mil).

O amadurecimento do mercado, com crescimento das categorias superiores, se consolidou no fechamento do ranking de 2016, quando cinco carros grandes ficaram entre os 20 mais vendidos: Corolla em quinto, Honda HRV em décimo, Renegade em 11º, Toro em 14º e Hilux em 18º (veja quadro abaixo).

América Latina
A estratégia da FCA para a marca Fiat no Brasil é parte de um planejamento maior, para todo o Continente, considerando investimentos também na fábrica da Argentina, que terá modernização no processo semelhante ao da unidade de Betim, com a implantação do conceito Indústria 4.0 (veja mais adiante). Chile, Colômbia e os países andinos também fazem parte do projeto que pretende fazer a marca presente nos vários segmentos do mercado. Isso porque, na visão da empresa, assim como o mercado brasileiro, os demais países sul americanos estão amadurecendo. “Mercado maduro” é aquele que exige modelos com maior valor agregado, tecnologia, alto grau de conectividade.

Além de Jeep e Fiat, a Dodge também integra a oferta de produtos para o Continente, marca que já tem certa penetração em alguns países da região.

Assim como a fábrica de Betim, que recebeu investimento de R$ 1 bilhão na modernização, a unidade da Fiat na Argentina está passando por uma reformulação e também vai ganhar o conceito 4.0, considerada a quarta revolução industrial.

Manufatura Avançada
A Indústria 4.0, ou Manufatura Avançada, é um conceito criado na Alemanha para a fábrica operada totalmente pela internet. Todos os processos de produção têm conexão entre pessoas, máquinas e sistemas com o objetivo de simplificar as atividades e garantir a máxima qualidade. Cada operador tem controle direto sobre a qualidade de cada carro através do sistema NPL (New Plant Landscape), que permite uma gestão integrada e em tempo real dos dados de produto e processo.

Para cada carro são rastreados os dados das peças montadas e assegurados os parâmetros de qualidade. A conexão entre as máquinas analisa os parâmetros de processo e planeja os ciclos de manutenção sem precisar parar a linha de montagem.

A fábrica da Jeep em Goiana já é integrada aos fornecedores e todos operam sob o mesmo sistema de comunicação em tempo real para garantir o fluxo logístico, reduzindo o nível de estocagem. O mesmo processo está sendo instalado em Betim. As linhas do Mobi já seguem os conceitos da Indústria 4.0, assim como da fábrica de motores Firefly, também em Betim, inaugurada setembro do ano passado e que recebeu investimentos de R$ 1 bilhão.

Investimento de R$ 4 bilhões
A direção da FCA avalia que o que interessa é o resultado do grupo, que teve 17,8% de participação no primeiro trimestre deste ano, com 82 mil carros e a liderança de vendas. No ranking por marca a liderança é da GM, com Fiat em segundo e Volkswagen em terceiro. A Jeep é a décima marca mais vendida.

“Os números da Fiat refletem a transição do nosso portfolio. A empresa está renovando a gama de produtos porque o mercado está mudando e porque alguns de seus clássicos e campeões de vendas completaram seu ciclo de vida”, disse um dirigente da montadora. “Esse ciclo de investimentos (R$ 4 bilhões de investimento na nova fábrica de motores e em novos produtos) – completou, mostra uma empresa disposta a se reinventar.”

Ranking por marca
Janeiro a dezembro de 2016
ranking_por_marca_2016

Ranking por modelo
Janeiro a dezembro de 2016
ranking_por_modelo_2016

23 comments

  1. Pablo Reply

    Carros como o linea São muito bonitos, mas seu acabamento deixa a desejar, pois não são compatíveis com o preço que são vendidos.
    Para que valha a pena, um carro desses deveria ter um câmbio automático (Não automatizado), painel emborrachado e um kit multimídia moderno.
    Senão, o preço deveria ser mais baixo.

  2. Vivi Reply

    Sou apaixonada pela Fiat, uma montadora q investe mas na segurança. Estou pouco ligando para estética e acabamento em plásticos pois já pude comprovar q outras marcas também batem muito. Estou nela desde o Fiat 147, Palio, Sienas e agora Grand Sienas e mediante comparações é a montadora q tem melhor custo/benefício em questão de preços de peças, revisões e revenda.

  3. Junior Reply

    A Fiat cresceu no mercado brasileiro atacando por várias frentes.
    O antigo uno era um bom carro. Espaçoso, econômico…
    Ultimamente a Fiat deixou o consumidor de lado.
    Faz carros horríveis de feios.
    Esse uno é feio para caramba.
    O Palio nem se fala.
    E esse mobi? Carro sem personalidade…
    E todos com um acabamento horrível, painéis feios…
    O punto ainda se salva nos quesitos beleza e qualidade aparente.
    O grand Siena também é bastante confortável e espaçoso.
    O idea é ótimo em espaço e altura, mas fui ver um 0 km parece um carro usado. Acabamento horrível.
    Poderiam revitalizar o carro.
    Esses novos produtos, vão acabar trazendo mais um carro feio achando que brasileiro é besta.
    Acorda Fiat. Não precisa reinventar a roda.
    Quando faz carros bonitos e que aparentam qualidade no acabamento, o consumidor gosta.
    Mas aí vem um câmbio dualogic de qualidade duvidosa, igual à Ford com o câmbio dualogic deles…
    Hora de valorizar o consumidor.
    Não precisa reinventar a roda nem gastar 4 bilhões com nada.
    Sugiro uma nova Idea, com controle de tração e estabilidade, que transmita segurança e com um painel bonito, aços resistentes, etc, e barata…

  4. Marcus macnel Reply

    A Fiat só erra qdo não produz a Strada com câmbio automático…Aí ela seria mais líder ainda!!!

  5. Mantovani Reply

    Já tive FIAT, acabamento da FIAT é terrível, volante descascado com um wno de uso sem o carro ficar no sol, acabamento de plástico barulhento, suspensao dura, como dizia um velho amigo, a sigla FiAT significa feito no inferno para andar na terra. Nao tem comparaçao com o acabamento e designe da pegeot e hyundai marcas que adquiri posteriormente. Sem contar o pós venda.

  6. Erico Rachid da Silva Reply

    O problema e, as vendas cairam porque, os preços de seus veiculos estao fora do que eles oferecem..( E olha que sou fa n1 da Fiat).

  7. EMILSON RAMOS DE CARVALHO Reply

    ha 30 anos venho sendo cliente da ford
    agora fui pra chery, dá uma chance pro chineses, estoutou gostando do chery celer sedan
    o que falta é os chinese investirem em publiciodade.

  8. Wendel Reply

    Esqueci de dizer:
    “Se a volkswanesguen, consegue vender as carroças dela, pelos preços q cobram, qqr montadora consegue”
    Foi isso q a Renault pensou qdo começou a fazer o Logan e o Sandero…
    Me digam apenas um carro com projeto nacional da “volkswanesguen” q tenha um acabamento e uma ergonomia descente…
    Apenas 1

  9. Wendel Reply

    Fiat strada vende bem prq quem conhece de pick-up para trabalho prefere o sistema de eixo rígido com molas parabólicas na traseira. Se não me engano, a única pequena a oferecer isso no momento. Sendo assim, ela “não abre as pernas” qdo usada para trabalhos pesados.
    A Fiat faz bons carros. O q acho interessante é a quantidade de motores diferentes utilizados em seus carros.

  10. Ronald Reply

    Fiat foi líder 13 anos com os pé de boi preços acessíveis só por isso é igual a cherry tá vendendo no Brasil porque ninguém pode comprar outros carros custam muito caro infelizmente no Brasil carro custa tão caro que chega ser um assalto claro estamos em um país de bandidos não poderia ser diferente a lava jato que o diga.

  11. Allan Reply

    Comprei 32 veículos entre palios,uno e strada.
    Tenho todos ainda em uso alguns 2017.
    Mas o que posso dizer é que aguentar serviço no dia a dia é Fiat, suspensão resistente e motor valente.
    Pena o palio ter saído de linha novamente!

    1. Allan Reply

      Por último comprei 5 mobi e espero ter o mesmo resultado, pois ainda vou testar.

  12. antonio carlos Reply

    Nos primordios da Fiat tive um Premio. O carrinho ruim, vivia mais no mecânico do que andando.
    Depois tive um Palio 98, quatro portas e bem equipado. Esse já foi melhor.

  13. Fabiano Reply

    Só tive carros dá Fiat até hoje e nunca me incomodei com nem um . Não posso criticar outras marcas porque nunca tive assim como quem nunca teve Fiat deve criticar baseado em boatos. Uma dica … Manutenção preventiva deve ser feita em qualquer modelo, nem um carro é indestrutível.

  14. Roberto Reply

    Há mais 15 anos tenho Fiat. Tipo, Uno, Punto, este até hoje… Ótimos!

  15. Iron Ross Reply

    Fiat é um ótimo carro para andar na cidade a 40km/h, muito econômico e mecânica fácil. Porém, Fiat é carro sem segurança. Não precisa ver resultados oficiais de testes (que já provam isso). Vejam os acidentes que envolvem Fiat’s com outras marcas e se certificarão disso. A Fiat nunca investiu em segurança.
    Quer morrer na estrada, se houver colisão/acidente: compre Fiat, pois se desintegra (comecem a verificar e comprovarão isso). Mas a Fiat deveria privilegiar o cuidado com seus clientes e usuários. Comprei um Uno zero modelo novo em 2011, quando me dei conta da falta de segurança, vendi.
    Fiat nunca mais.
    Quer segurança de verdade de indústrias brasileiras: compre Ford ou VW (vejam os testes). Não sou garoto propaganda e nem fã de nenhuma marca. Só procuro privilegiar quem faz bem, só isso.

  16. Lázaro Aparecido Pereira Dias Reply

    Os carros da Fiat são bons de briga
    …no Brasil onde os carros são caríssimos devido a cargas tributárias exorbitantes….a Fiat cumpre seu papel…

    Confiarem nos próximos produtos….

  17. Luciano Reply

    Pode ser bom e tudo, mas um carro com as dimensões e o nível de acabamento de um punto não é hatch médio nem aqui, nem na China.

  18. fabio Reply

    Só compramos Fiat Strada. Porque é boa em tudo. As demais não consegue chegar às pés. Basta fazê a comparação. Torço para que a Fiat volte ao topo, pois sempre envestiu não é atoa que ficou 13 anos na liderança.
    Resultado do trabalho da Fiat.

  19. Olavo Bilac Reply

    A melhor montadora do Brasil

    Com certeza mais um modelo a frente dos outros, estava na hora

    Dá-lhe Fiat

  20. Washington Galantino Reply

    Em nome de Jesus Cristo vai vender muito trabalhamos para isto
    É o melhor!!!!

  21. Alvarenga Reply

    Vai ser mais um FIAsco !
    FIAT so deu certo com subcompacto e compacto de entrada.
    E mais recentemente com a Strada que inacreditavelmente vende muito, talvez porque frotista compra porque não dirige, quem vai dirigir é o motorista da empresa, então problema dele, kkkkkk !

    1. Lino Reply

      Acho que você não conhece Fiat, meu caro!
      Não é a máquina, mas não deve nada para nenhum dos seus pares, mas é melhor que uns que acham top de uma marca alemã.
      Quando comprei um Pálio logo que foi lançado, me disseram que a porta dele cai…kkkkk…Quanta besteira!

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