Redução do IPI não chegou ao bolso do consumidor

Foto: Divulgação

A indústria reclama a redução dos impostos sobre veículos, e como tem livre trânsito junto ao governo – de qualquer esfera e seja qual for o presidente – costuma ser beneficiada periodicamente com a redução da carga tributária. A mais recente conquista foi a redução do IPI, que atingiu também outros setores.

O argumento principal dos fabricantes é que, com uma carga menor, o setor vai vender mais e a arrecadação do governo vai se manter, podendo até aumentar. Além disso, com o carro mais barato, aumenta o número de pessoas beneficiada com a medida, pois um volume maior de consumidores vai entrar no mercado de carro zero.

Na teoria a análise é perfeita. Ocorre que, normalmente, quando há uma redução de imposto, o benefício não é repassado para o consumidor, às vezes em parte às vezes no todo. No caso da última redução do IPI, em fevereiro, a maioria das montadoras, assim como a direção da Anfavea, argumentaram que precisavam “recompor a margem”, eufemismo para dizer que não vão repassar o benefício ao consumidor.

Em fevereiro, quando se esperava uma queda nos preços dos carros, houve aumento de 1,68%, conforme levantamento da Fundação Getúlio Vargas. Em março, novo aumento, desta vez de 0,47%. Ou seja: nem mesmo a previsão da própria Anfavea se concretizou, já que a associação dos fabricantes previa uma redução de preço entre 1,4% e 4,1%.

Conclusão: o governo abriu mão da arrecadação para reduzir o preço do carro e as montadoras embolsaram a diferença, justificando a medida por conta dos aumentos dos derivados do petróleo, do aumento do frete, do “gargalo criado na época da Covid”.

O problema é que o salário e a renda do trabalhador, que também foram decepados pela Covid, não está sendo reposto, portanto, o consumidor está pagando mais caro pelo carro no Brasil.