Falta de insumos, dólar alto e avanço da Ômicron também contribuíram para o péssimo resultado de janeiro    

Se desconsiderarmos os sórdidos meses de abril e maio de 2020, quando a pandemia fechou fábricas e concessionárias, janeiro de 2022 registrou as piores vendas pelo menos dos últimos 14 anos. “Pelo menos” porque foi em 2007 que a Autoinforme passou a registrar com detalhes os números de vendas de carros e comerciais leves no Brasil, mas muito provavelmente nos anos anteriores os janeiros também apresentaram melhores resultados que este 2022.

Foram licenciadas apenas 116.601 unidades, o que dá uma média de 5.552 carros por dia, uma queda de 28,3% sobre janeiro de 2021 (162.567) e de 39,7% sobre dezembro (193.555).

O resultado é consequência de um conjunto de situações que refrearam o consumo no segmento neste início de ano:

A falta de insumos e componentes somada ao aumento de preço, uma vez que os fornecedores são estrangeiros e portanto os preços são cotados em dólar, cuja cotação em relação ao real está nas alturas.

O carro OK também teve aumentos expressivos: o modelo mais barato do Brasil, o Renault Kwid, passou a custar quase R$ 60 mil.

A baixa atividade, aprofundada com o avanço da variante Ômicron, provoca a queda de renda da população.

E o carro usado, que foi alternativa no ano passado para quem não podia comprar o OK, está com preços abusivos: um grande banco anunciou nesta terça-feira (1/2/22) que sua carteira de financiamento de carros caiu drasticamente neste início de ano.